Proteja Sua Filha ou Eduque Seu Filho?
- Maria Júlia de Araújo
- 1 de jan. de 2025
- 2 min de leitura

Vivemos em um mundo onde "proteger as filhas" parece ser o mantra de pais e mães preocupados. E não é difícil entender o porquê: a realidade é que, desde pequenas, somos ensinadas a ter medo. "Não ande sozinha à noite", "Cuidado com a roupa que você usa", "Não aceite bebidas de estranhos". Enquanto isso, muitas vezes, os meninos crescem sem ouvir nada sobre consentimento e respeito.
Em vez de focar tanto em proteger as meninas de uma sociedade perigosa, que tal começarmos a educar os meninos para que essa sociedade deixe de ser perigosa?
Eu me lembro de quando era adolescente. Toda vez que saía com minhas amigas, recebia uma lista interminável de recomendações: "Mande mensagem quando chegar", "Se cuide", "Fique perto das suas amigas". Isso tudo me fazia sentir que o perigo era inevitável, que era minha responsabilidade driblar o que quer que estivesse à espreita. Mas raramente, ou nunca, ouvi alguém dizendo aos meninos da minha idade: "Respeite os limites", "Não insista se ela disser não", "Cuide das pessoas ao seu redor".
E essa diferença na criação não é por acaso. Há gerações, as mulheres carregam o peso de evitar situações de risco, enquanto os homens são pouco incentivados a refletir sobre o impacto de suas ações. É uma responsabilidade desigual que precisa mudar.
Ensinar que o consentimento não é negociável, que piadas machistas perpetuam a desigualdade, e que todos têm o direito de se sentir seguros no mundo – isso é o que pode trazer mudanças reais.
E sabe o que mais? Essas conversas não precisam ser complexas. Podem começar com coisas simples, como ensinar desde cedo que ninguém tem o direito de invadir o espaço do outro, que "não" significa "não", e que ser gentil é um sinal de força, não de fraqueza.
Isso não significa que devemos deixar de proteger as filhas. Mas proteger não pode ser sinônimo de limitar ou sufocar. As mulheres não deveriam viver com medo ou com a sensação de que são culpadas pelas ações dos outros. Ao mesmo tempo, educar os filhos é preparar o terreno para uma sociedade mais justa e igualitária.
É hora de quebrar o ciclo! Chega de ensinar meninas a temer; vamos ensinar meninos a respeitar. Vamos criar uma cultura onde o cuidado e a empatia sejam a norma, e não a exceção.
Se você tem filhos, filhas, sobrinhos ou qualquer criança ao seu redor, que tal começar essa mudança hoje? Pense em como as suas palavras e ações podem moldar a forma como eles enxergam o mundo e tratam os outros. Porque, no final, proteger suas filhas e educar seus filhos não são ideias opostas – elas podem, e devem, andar de mãos dadas.
E você, como acha que podemos começar essa mudança?
Sério, essa cena de Pantanal diz tudo! É aquele tipo de conversa que faz a gente pensar na vida e no que realmente importa. Bora assistir e trocar uma ideia? Quero saber o que vocês acham!


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